[Sobre a realização de um antigo desejo]
Faz muito tempo que eu falo em cursar um Mestrado. Muito tempo mesmo (Mário é testemunha). Talvez desde a época em que ainda cursava minha primeira faculdade, iniciada em 1997. Mas a vida foi acontecendo e o Mestrado foi desacontecendo. Fui pouco a pouco me afastando desse desejo, que virou um sonho distante, quase uma desistência.
Não foi fácil, mas ao longo dos anos fui lentamente relembrando e retomando os desejos da jovem Márcia, sempre me sentindo atrasada, a vida passando e eu tentando alcançar. O Mestrado, porém, ainda parecia uma realidade muito afastada da minha. “Não é pra mim”, “Já estou muito velha” e “Nunca vou conseguir passar” eram pensamentos constantes. No entanto, em algum lugar o sonho resistia. E insistia. Então resolvi que no final do ano passado iria tentar. Passei meses escrevendo o projeto, com a ajuda de uma orientadora. Mudei o tema algumas vezes no meio do caminho, afinal, são tantos os meus interesses, qual escolher? Enfim escolhi, consegui terminar o projeto e, assim que abriram as inscrições, enviei. Não tinha mais volta. Se não passasse, paciência. Não era para ser.
Mas eu passei. E assim, neste mês em que completo 46 anos, iniciei o Mestrado em Literatura, Cultura e Contemporaneidade na PUC-Rio, para pesquisar um tema que também me persegue há muitos e muitos anos: a relação entre fotografia e memória na literatura (e na vida) – mas isso é assunto para um outro dia.
Estou contente por, enfim, poder realizar o desejo da jovem Márcia, mesmo não sendo mais tão jovem. Driblei os maus pensamentos e insisti, simplesmente por não conseguir deixar de sonhar.
[Texto originalmente publicado na newsletter Página 23]

